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Policial

Namorada de ex-coordenador de campanha do PSD de Araçuaí o acusa de esfaqueá-la

A garçonete Joziane Rodrigues de Sousa, de 31 anos, foi agredida pelo namorado, Wemerson Brito da Silva (PSD), de 40 anos, ex-presidente da legenda em Araçuaí e ex-coordenador da campanha de Tadeu do Posto (PSD), candidato à prefeito na cidade. A briga teria sido motivada por desconfianças do homem sobre a fidelidade da mulher.

É o que narra o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, no último dia 29, após atendimento à Joziane em um hospital da cidade. Ela sofreu escoriações e um corte profundo no rosto – foram aplicados cinco pontos na parte de fora, e, na de dentro, nove.

“(Os militares) compareceram ao Hospital São Vicente de Paula e, em contato com a vítima, ouviram que o namorado dela a apertou pelo pescoço e, em seguida, se apossou de uma faca. Ao tentar retirar a arma das mãos do autor (do crime), ela sofreu um corte. Também foram constatadas escoriações no joelho, e pequenas lesões pelo corpo”, diz o texto.

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informa que “a vítima foi encaminhada até a Delegacia de Polícia Civil em Araçuaí, onde prestou depoimento, solicitou medida protetiva e foi encaminhada ao hospital para atendimento médico”.

Um inquérito policial foi instaurado e, seguindo o boletim de ocorrência, a instituição diz que o suspeito “não foi localizado na data do crime”. Ele será intimado nos próximos dias para prestar esclarecimentos, termina o texto encaminhado à reportagem.

Em entrevista a O TEMPO, Joziane conta que, naquele dia, havia saído com amigas e voltou para casa, onde vive sozinha, por volta de 0h. “Ele estava na minha porta. Entramos, ele tentou tirar minha roupa, pedi para ele ir embora, e ele ficou falando que eu estava com outra pessoa”, relata.

Depois disso, começaram insultos. Wemerson afirmou que “iria pegar as coisas dele”, continua a mulher. “Vi que ele foi para a cozinha e, quando percebi, ele me deu ‘uma gravata’ (golpe com intuito de enforcamento) e começou a me furar (com a faca)”, afirma.

Ela diz que tentou tirar a arma branca das mãos do namorado e, quando conseguiu, a jogou no quintal. “Quanto mais eu gritava por socorrro, mais me esfaqueava”, lembra Joziane.

“Depois, ele me jogou da escada (que há na casa da mulher) e, eu, fingi que estava desmaiada. Saí correndo depois de um tempo, e ele fugiu. Fui ao hospital, depois passei pela delegacia e consegui uma medida protetiva”, segue.

Por volta das 19h do dia seguinte, informa Joziane, um oficial de Justiça foi até a casa dela e, posteriormente, até o endereço de Wemerson. Como havia menos de 24 horas entre a ocorrência do crime e o encontro com o suspeito, caberia prisão em flagrante – coisa que não ocorreu.

No boletim de ocorrência, a PM descreve apenas que os militares “fizeram contato com o autor, e não foram atendidos”. Em vídeo no Facebook, o candidato do PSD à prefeitura de Araçuari lamentou o ocorrido e garantiu que pediu afastamento de Wemerson da campanha, sem citá-lo.

“Eu estava em campanha, acabei de chegar, e tomei conhecimento de um fato muito grave, uma situação muito grave. Não poderia deixar de pedir desculpas à população de Araçuaí, pois uma das pessoas envolvidas faz parte direta da minha campanha. Me solidarizo com a Joziane. E não posso deixar de falar que não compactuo com nenhum tipo de violência. Os fatos já estão sendo tratados, estou pedindo o afastamento da pessoa de forma muito enérgica (Wemerson). Desculpas ao povo de Araçuaí”, afirmou o político.

Em resposta, Wemerson negou a O TEMPO que tenha cometido “qualquer tipo de agressão” contra a namorada, e deu outra versão dos fatos, que não foi registrada oficialmente em boletim de ocorrência.

“Primeiramente, essa questão foi usada para fins eleitorais. Adversários nossos. Eu estava a frente de uma campanha. Foram covardes, usaram algo pessoal, expuseram uma vida, minha e da menina, não usaram de forma alguma para protegê-la. Fins eleitorais”, começa ex-presidente da legenda.

“Sou totalmente contra violência, seja contra mulher, seja contra o homem. O meu erro foi ter ido lá (na casa dela). Ocorreu esse fato. Eu estive lá para discutir com ela, estava desconfiado dela. Ela chegando, fui conversar. Acabamos discutindo. Falei algumas coisas, ela me deu tapas, eu tentei desvencilhar, ela pegou uma faca. Consegui segurar a mão dela, e ela começou a me chutar. No que ela me dava chutes, acabamos rolando em uma escada que tem na casa e ela se cortou com isso”, conclui.

O político afirma que tentou socorrer a mulher e chamar uma unidade Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas não chegou a fazê-lo por ter ficado “apavorado após ela começar a gritar”, argumenta o acusado, que deixou o local pouco depois.

“Em momento algum eu agredi. Segurei as mãos dela, e, nesse desequilíbrio, ocorreu (o corte)”, conclui. A reportagem tentou contato com a coordenação estadual do partido, mas não obteve resposta até a publicação.

Com informação e foto: O Tempo e CGN

 

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