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Cotidiano

Desmatamento zero em São Paulo, por Xico Graziano

O Estado de São Paulo virou a página do desmatamento. Sim. Suas áreas de vegetação nativa cresceram nas últimas 2 décadas. A agropecuária paulista anda economizando florestas, de forma pioneira no Brasil.

Quem comprova esse fenômeno da recuperação ecológica do território paulista é o Inventário Florestal, divulgado semana passada pela Secretaria de Meio Ambiente e Energia. Considerando os últimos levantamentos, realizados a partir de imagens de satélites, a cobertura vegetal nativa passou de 13,9%, na virada do século, para 22,9%, no presente.

Percebam que a tendência histórica do desmatamento se inverte já a partir de 1990, reforçando-se no século 21. Entre os anos de 2000 e 2020 verifica-se um acréscimo de 64% nos remanescentes naturais, seja do bioma Mata Atlântica seja, em menor grau, do bioma Cerrado. O número é preciso: 32,6% da Mata Atlântica original está preservada no estado de São Paulo. Adeus pessimistas.

Várias razões levaram à essa reversão no desflorestamento do território paulista. Em primeiro lugar, há que se destacar a fiscalização ambiental. O estado de São Paulo conta com uma poderosa, e treinada, Polícia Militar Ambiental, que age na repressão ao corte ilegal de florestas.

Em segundo, os próprios agricultores tiveram papel fundamental, ao cumprirem o Código Florestal. Realizaram, assim, especialmente, a recuperação ecológica das matas ciliares, aquelas que protegem córregos e rios, categorizadas como “áreas de proteção permanente” (APPs).

Em terceiro lugar, destaque-se as políticas públicas:

A criação de dezenas de unidades de conservação ambiental “parques e reservas” a começar daquelas que protegem a Serra do Mar;
o Protocolo Agroambiental, firmado em 2007, entre o governo estadual e o setor sucroalcooleiro. Além de objetivar, num prazo de 10 anos, acabar com as queimadas de canavial, a recuperação das matas ciliares também era obrigatório;
O programa intitulado “Nascentes”, que utilizou a pedagogia do pagamento por serviços ambientais para estimular a proteção de recursos hídricos. Foram 20 mil hectares preservados desde 2015.
Em quarto lugar, foi fundamental a pressão da opinião pública, capitaneada pelas organizações não-governamentais, principalmente a SOS Mata Atlântica. Sociedade civil é essencial em políticas ambientais.

Enquanto o país se preocupa com o desmatamento criminoso da Amazônia, em São Paulo se comemora, há 20 anos, o desmatamento zero. Mais ainda: entremeadas com as lavouras e as pastagens, crescem as matas ciliares, formando corredores ecológicos que serpenteiam a paisagem rural protegendo fauna e flora.

Esse ganho ambiental é um resultado notável permitido pela intensificação tecnológica do agro: ao elevar a produtividade e produzir mais, no mesmo pedaço de terra, a moderna agropecuária “libera” áreas para a conservação da biodiversidade.

Esse efeito “poupa-terra” é a grande prova de que a produção agropecuária e a conservação ambiental tornaram-se inseparáveis. A agronomia se casou com a ecologia.

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