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50 anos do Tri: Pelé se despediu da Copa do Mundo Copa do Mundo em grande estilo

A série “50 anos do Tri” relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

Estádio Azteca, duas horas da tarde. O árbitro alemão Rudi Glockner pede a bola e encerra o jogo. O Brasil é tricampeão da Copa do Mundo. No centro do gramado, está Pelé, que se mistura entre sorrisos, lágrimas e abraços. É, sem dúvidas, a figura mais celebrada. Muita gente invade o gramado. Torcedores, soldados e jornalistas se aglomeram em volta dos heróis da Seleção Brasileira, mas a maioria deles fica em torno de Pelé. Tentam tocá-lo, como se quisessem saber se ele era real ou não. Pedem peças do uniforme, o levantam sobre os ombros. Admirados com o que acabavam de ver, todos se curvam ao talento sem igual do Rei.

A Copa do Mundo de 1970 foi o capítulo final de uma trajetória gloriosa para Pelé. No Mundial, o Rei foi o vice-artilheiro da Seleção, com quatro gols marcados, e ainda deu seis assistências. Essa última marca é, até hoje, a melhor da história do torneio (em apenas seis jogos, um a menos do que o máximo que um jogador pode fazer atualmente).

Mas os números jamais conseguiriam resumir o que foi a Copa do Mundo feita por Pelé no México. Como o próprio resumiu, em entrevista exclusiva para a CBF:

– Eu era muito jovem, tinha pouca idade para achar que podia acontecer aquilo. Até hoje eu fico me perguntando… Eu agradeço a Deus, oro e pergunto: “Deus, por que fui eu o escolhido?”. É difícil explicar. Eu só queria ser igual ao Dondinho, meu pai, que jogava no Bauru Atlético Clube. Era o máximo que eu queria ser. Mas Deus me deu esse presente de acontecer tudo que aconteceu na minha vida. Então, é difícil de explicar.

Para tentar entender melhor o tamanho da importância do que fez Pelé é necessário voltar no tempo, para pelo menos 12 anos antes da final no Estádio Azteca.

Tudo começou em 1958, na Suécia. Pelé era apenas um adolescente quando assombrou o mundo, aos 17 anos. O craque chegou ao Mundial lesionado e só estreou na terceira rodada, contra a União Soviética. O primeiro gol de Pelé saiu na partida contra o País de Gales, fazendo dele o jogador mais jovem a marcar numa Copa do Mundo. Com um drible seco, levantou a bola para passar pelo zagueiro galês e completou para o gol de sem pulo. Na comemoração, foi até as redes, se jogou no chão e abraçou a bola, como se tentasse ficar naquele momento para sempre.

Na semifinal contra a França, o Rei desencantou. O primeiro tempo diante dos franceses terminou com vitória do Brasil por 2 a 1, mas foi na segunda etapa que veio o show de Pelé. Foram três gols dele, que se tornou o mais jovem a conseguir um hat-trick em uma Copa.

Até hoje eu fico me perguntando… Eu agradeço a Deus, oro e pergunto: “Deus, por que fui eu o escolhido?”
Na final contra a Suécia, o Rei confirmou o que muita gente já vinha dizendo ao longo do Mundial: tratava-se do melhor jogador de futebol do planeta. Foram dois gols, um deles antológico. O domínio no peito, seguido de um chapéu sobre o zagueiro sueco e a finalização certeira. Um golaço! Ao fim do torneio, Pelé terminou com a Bola de Prata, de segundo melhor jogador da Copa (atrás apenas de Didi) e ainda foi eleito como o Melhor Jogador Jovem do Mundial, coroando o fato de ter virado o mais jovem campeão de todos os tempos.

Duas Copas diferentes

O Rei também conquistou a Copa do Mundo de 1962, mas de uma forma diferente. Enquanto esteve em campo, conseguiu manter a sua reputação de melhor jogador do mundo. Mas Pelé se machucou na segunda partida da Copa do Mundo, contra a Tchecoslováquia, e não voltou a jogar naquele Mundial. Restou a ele torcer pelos companheiros de Seleção do lado de fora das quatro linhas. Comandados por Garrincha, os brasileiros conquistaram a Copa pela segunda vez consecutiva.

Quatro anos mais tarde, Pelé estava com 25 anos quando viajou à Inglaterra com a Seleção. O planejamento do brasil não foi dos melhores e o elenco ainda apresentava algumas figuras envelhecidas do bicampeonato. A participação de Pelé ficou marcada especialmente pela perseguição dos marcadores a ele, especialmente nos duelos contra a Bulgária e Portugal.

Com a saída precoce do Brasil do torneio, Pelé voltou quatro anos mais tarde ao Mundial para restabelecer sua posição como jogador mais talentoso do universo. E cumpriu essa missão com louvor.

O Retorno do Rei

A Copa de 1970 foi um verdadeiro recital de Pelé. Do primeiro ao último jogo, ele liderou a Seleção Brasileira ao tricampeonato do mundo. No primeiro jogo, reencontrou a Tchecoslováquia, adversário contra o qual se lesionara no Chile, em 1962. Dessa vez, o fim foi diferente. Pelé marcou o segundo gol na vitória por 4 a 1, que abriu o caminho para a conquista do Tri.

Contra a Inglaterra, foi dele o passe para o gol de Jairzinho, o único na vitória por 1 a 0. Diante da Romênia, fechando a fase de grupos, o Rei marcou duas vezes. Uma delas em bela cobrança de falta, inaugurando o marcador no triunfo por 4 a 2. Nas quartas de final, contra o Peru, Pelé fez um grande duelo individual com Teófilo Cubillas. Ao fim do torneio, este seria eleito como o Melhor Jogador Jovem da Copa de 1970. O Rei não marcou nem deu assistências, mas esteve envolvido em pelo menos dois dos gols brasileiros.

Na semifinal contra o Uruguai, nova assistência de Pelé, para o gol de Rivellino, de fora da área. O capítulo final de Pelé na Copa do Mundo foi com classe, técnica e com as marcas de um gênio. De cabeça, ele abriu o placar contra a Itália na decisão, no Estádio Azteca. E foi dele a assistência para o gol inesquecível de Carlos Alberto Torres, que fechou a goleada por 4 a 1 e a campanha.

Na hora de levantar a taça, o Capita fez questão de ter Pelé ao seu lado. Um gesto que não sai da memória do Rei:

– Eu não estava com ele na hora, mas ele me chamou. “Vem cá, você tem que estar comigo aqui”. Falei “pô, Capitão, que isso”. Eu fiquei perto dele porque ele insistiu, enquanto eu não fiquei ao lado dele ele não levantou a taça. São coisas difíceis de explicar e saber a razão.

Os gols que Pelé não fez

Para além dos gols e assistências, Pelé foi tão genial que imortalizou até jogadas em que não balançou as redes. Foi assim em três oportunidades durante a Copa do Mundo de 1970. Primeiro, contra a Tchecoslováquia, tentou surpreender o goleiro de antes da linha central. O chute de Pelé sobrevoou os céus do estádio Jalisco, em Guadalajara, antes de cair a centímetros da trave esquerda dos tchecos.

Na partida contra o Uruguai, Pelé protagonizou dois lances com o goleiro Marzukiewicz. No primeiro, o arqueiro uruguaio bateu mal um tiro de meta e o Rei, de primeira, tentou emendar para o gol de muito longe. Depois, já perto do fim da partida, Pelé recebeu de Tostão e usou o corpo para, sem tocar na bola, dar um drible da vaca no goleiro. A conclusão cruzada tirou tinta do poste direito do Uruguai.

Esses são só alguns exemplos do que a genialidade de Pelé pode proporcionar. Na verdade, apenas quem o viu em campo pode dizer, com toda certeza, o que ele significou para o futebol. A quem não pôde ver, resta a reverência e a nostalgia de um tempo que não volta mais. O tempo em que o futebol era comandada por seu maior embaixador: o Rei Pelé.

Com informação da Catve e CBF

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