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Trânsito

Três mortos e cinco feridos: tragédia na BR 277 em Cascavel completa um ano

Eram 11h38 da manhã de 28 de julho de 2019. Um domingo de sol em Cascavel, um dia razoavelmente tranquilo, com pouco movimento nas estradas, principalmente na BR 277 – que corta o município e é uma das principais rodovias do Paraná. No entanto, um relapso de segundo modificou o curso do dia e também a vida de muitas pessoas, naquele momento se concretizava uma das maiores tragédias do ano no perímetro urbano com velocidade máxima permitida de 70 km/h. A cena chama a atenção, na pista motoristas enfileirados, obras no trecho e um caminhão desgovernado. A batida violenta terminou em três mortes, cinco feridos e o questionamento: Tudo isso poderia ter sido evitado?

As imagens de monitoramento mostram o exato momento da batida, os carros estão parados aguardando por liberação do siga e pare, por conta das obras de readequação do trecho, quando o motorista do caminhão aparece ao fundo e bate violentamente em outros cinco veículos. Em outro ângulo, a fila aparece com mais nitidez, ao fundo o caminhão arrastando por vários metros os carros e os ocupantes que neles estavam “Um strike humano”, descreve o oficial da PRF. O acidente envolveu o caminhão de frigorífico com placas de Matelândia, uma moto com placa de Cascavel, o Fiesta com placas de Cascavel, o Civic com placas de Sabáudia, o Onix com placas de Belo Horizonte e um Gol com placas de Cascavel.

O primeiro impacto foi na motociclista ocupada por Joel Muniz, 55 anos e Geraldo Afonso de 51. Os dois morreram na hora, sem chance de socorro sofreram ferimentos incompatíveis com a vida.

Sara Beatriz Teixeira de 24 anos era ocupante do Fiesta. O carro em que estava foi completamente destruído na batida. O Ford virou um emaranhado de ferros retorcidos. A jovem, mãe de um menino de apenas 8 anos, estava presa às ferragens ainda com sinais vitais, mas morreu devido à gravidade dos ferimentos. O namorado de Sara, Gabriel Faria, foi resgatado em estado grave, passou vários dias na UTI e recebeu alta médica cerca de 15 dias após o acidente.

A Polícia Civil fez a investigação do caso e ainda aguarda algumas perícias ficarem prontas. O inquérito será liberado ao Ministério Público. O motorista do caminhão pode responder por homicídio culposo – quando não há intenção de matar. No momento do acidente ele fez o teste do bafômetro, realizado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), que não apresentou alteração para ingestão de álcool.

Lenir da Silva Muniz, casada durante 32 anos com Joel Muniz – vítima do acidente, ainda sente a saudade do esposo, pai e avô. A dor para ela parece maior a cada dia. “Foi assim, transformou nossa vida, nossa família foi destruída, estou muito perdida até hoje. Eu estava casada com ele há 32 anos e numa tragédia acabou tudo. É muita tristeza. O que eu espero é que a justiça seja feita, porque a imprudência de um motorista não pode acabar com os sonhos de três famílias. Ele está solto, ninguém fez nada e todo mundo espera por justiça”.

A mulher revela que o domingo teria tudo para ser de comemoração. Filhos, noras e netos em casa no aguardo do almoço, mas a ligação recebida para buscar o amigo mudou a vida deles para sempre. ?No domingo a gente sempre fazia almoço em família, então estavam os filhos e noras preparando a comida e ele saiu porque o amigo dele ligou para ir buscar e levar em casa. Ele saiu de casa às 11h20, pegou o amigo no Santa Cruz e só pegou a BR para levar no Santa Felicidade, mas infelizmente ele não chegou. Ele se foi. Acabou. Ninguém teve almoço, ninguém teve nada e tem sido dias bem difíceis desde então?, enaltece.

O filho de Jair era um dos homens que trabalhava na pintura e readequação do trecho, contratado pela empresa responsável pela rodovia. Ele, ao presenciar o acidente, jamais imaginou que entre as vítimas fatais, o pai era um deles. A mãe ainda conta, que por mais que o tempo passe, isso provavelmente nunca será apagado da memória filho. ?Ele é um guerreiro por ainda trabalhar em rodovia, porque assim ele viu a cena, do pai ali naquela situação. Isso causa muita dor, muita dor?.

Não foi só a família da Lenir que mudou. Sara estava no auge da juventude, mãe de um menino, ela namorava Gabriel há pouco mais de um ano e tinham planos de morar juntos e constituir uma família. A vida de Gabriel mudou, o filho de Sara ainda chora a falta da mãe e não compreende o motivo dela nunca mais ter voltado para casa. Os áudios no celular são apenas lembranças remotas de boas histórias vividas.

As famílias ainda aguardam por pronunciamento judicial, mas os recessos por conta da pandemia atrasaram os prazos que foram suspensos por tempo indeterminado. Mais dor, mais espera e mais angústia.

Com informação e foto: Catve

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